sábado, 11 de maio de 2013

Poesia A Memória de Luiz De Quadros Gomes


A MEMÓRIA DE LUIZ DE QUADROS GOMES - MIGUEL ARNILDO GOMES

Num dia cinco de novembro
partiu e deixou saudades
que me arrebata, me invade
ferindo-me a própria alma,
a o  raciocinar com calma
porque  a vida é assim?
Na ficção ou na poesia
eu penso que bom seria
que tudo se eternizasse
e que tudo de bom que nasce
permanecesse vibrante,
como um astro radiante
e que jamais tivesse fim...
Fostes meu irmão mais velho,
meu professor , meu padrinho,
que ao longo de um só caminho
me destes ensinamentos,
ao lembrar neste momento
os primórdios de minha infância,
dos meus sonhos de criança
em aprender escrever,
me ofereceu o “Queres ler,”
a tabuada e o catecismo,
me deu aulas de civismo
e o verso tosco e caipira
aprendi não é mentira,
na mais cabal realidade
na pureza da verdade
e na magia do saber.
Recordo o cachorro Cairú
que tu levavas na carroça
quando seguias para a roça
com o Galante e o Barão,
bois de nossa estimação,
também o Gaúcho e o Navalha.
Se a emoção não atrapalha
eu termino este relato,
a ser coerente e sensato
na expressão sentimental,
coisa  vulgar ou banal
mas que pra mim tem sentido
sem deixar despercebido
na simples dedicatória
 a esta longa trajetória
que cumpristes até o fim.
Hoje renasces em mim
ao  usar de um só dialeto
a saudar tua esposa, filhos e  netos
e toda a família afinal...
em tua memória me ajoelho
pra continuar um pouco meu espelho
te tornarás imortal.
Lembro o cavalo Rosilho
que papai te deu de presente.
Tu saías imponente
nesse pingo marchador,
com garbo e muito amor.
Fostes professor,depois viajante,
improvisador vibrante,
de bons livros fostes leitor,
também fostes vereador
em algumas legislaturas
é como traçar a pintura
na tela da imaginação
é como ligar o coração
nos cordéis da profecia,
tua imagem se irradia
no lamiré da severidade,
misto de rigidez e bondade
misto de bronco e letrado,
por alguns idolatrado,
por outros , mal entendido,
corajoso , destemido,
audacioso e perspicaz
LUIS DE QUADROS GOMES DESCANSE EM PAZ NA INVERNADA DO SENHOR!!!

Poesia Ecos de um Tropel


ECOS DE UM TROPEL - MIGUEL ARNILDO GOMES

Na serração tensa, no ruído de galhos,
Nas gotas de orvalho, em uma manhã
Lagoa dos Patos, serena e tão linda
E belezas infindas do Rio Camaquã

Caramurus chegaram
Para um encontro mais serio,
Guardiões do império
Como Moringue na frente,
Jamais saberiam que sobre o estaleiro,
Havia carpinteiros e homens valentes.

Atira Procópio, que isto nos pertence,
Aqui alguns Riograndenses
E da outra banda,
São cento e cinqüenta imperiais,
Giuseppe falou que estes negros valentes,
Foram os melhores e os mais fieis.

Garibaldi ativante
Batizado no Pampa,
Que até pela estampa
Se configurava,
“Sonhador de dois mundos”
Visionário crescera,
Libertário que era
Por esta terra que amava.

Na estância do brejo
Neste encontro de guapos
O estandarte farrapo
Se glorificou,
Na peleja mais tensa
Sem ficção e sem jaça,
O ideal de uma raça
Se imortalizou.

Poesia Atalaia


ATALAIA - MIGUEL ARNILDO GOMES


Atávicos sonhos se desvenda,
Contenda sem mancha ou cicatriz
Inúmeros feitos e lendas,
Legenda de pátria e de raiz.

Tropeada dos dez anos, um só fato ,
Relato que lineou a trajetória,
Do prumo que sem pompa ou aparato,
Traçou um novo rumo pra historia.

A homologia nos traduz neste momento,
O Neto, o Bento e os distintos amarais,
Nunes Garboso comandante dos lanceiros
Como escudeiros pra notáveis imortais.

Hoje ao cruzar no cemitério do Cordeiro,
Com cerração que encobre uma manhã,
Ouço ao longe o clarim de Antonio Ribeiro,
Junto ao murmúrio das águas do Camaquã.

Onde ficções e ideais se entreveram,
Nossa bandeira andeijou serra e cochilhas,
Nesta tenência a própria raça se tempera,
Como centauros vanguardeiros farroupilhas.

Poesia Índia Anaí


ÍNDIA ANAÍ - MIGUEL ARNILDO GOMES

Aquele marco plantado
Na colina do Caiboaté,
Comprova que índio Sepé
Sem fazer ostentação
Pra defender o seu chão
Ao sair de São Miguel
Rumo a São Gabriel
Morreu com lança na mão.

Anaí, quanta ousadia,
Audaciosa e caborteira,
Formando a mesma carreira
Ao deixar na taba o filho
Percorrendo o mesmo trilho
Quando a cruzar por ali.
China intrépida, ignorante e sedutora,
Quando um dia também fora
A mais bela cunhataí.

Ela partiu pelo fator verdadeiro,
Quando no afã de servir guerreiros
Canta, grita, chora e ri.
Quanta fraqueza
Em um imensurável frenesi,
Liderando outras chinas
Sobre brenhas campos e campinas,
No rumo a Itusaingô
Onde um dia também tombou
Ela, a tapejara índia Anaí.

Quanta rudeza,
Quando a conduzir-se em um só tropel
A ser amarga como o fel
Somente sendo fiel
Ao seu deus Tupã e mãe Tupanci.
Sobre a flor da corticeira
Que crescera no banhadal
Ao tornar-se imortal
Ficou morando pra sempre, a Anaí.

Cunha valente,
Que ao próprio amor não se apega
Disparando por entre as macegas,
Dessa situação não reclama.
Quando ela, a índia Anaí
Símbolo de cunha guerreira
Junto ao um pé de corticeira
Foi devorada pelas chamas.

Salve, salve Anaí!!!
Cunhataí, depois cunha guerreira.
Salve a índia missioneira ,
Salve o bugre, xucro e nu.
Salve, salve Tiarajú
Salve Sepé redivivo.
Salve Andrezito altivo
Nosso André Taquari
Neste culto de emoções
Salve o mártir das missões.
Salve o pagé do momento,
Salve o rodeio dos ventos.
Mil vezes, salve, salve, salve
Anaí!!!

História Não-Me-Toque de Ontem e Hoje


NÃO ME TOQUE DE ONTEM E HOJE - MIGUEL ARNILDO GOMES

 De um lado verdes campos cobertos por capim barba de bode, onde sobre o orvalho das lindas manhas rebanhos e mais rebanhos de emas (ou nhandus) passeavam, onde os perdigões emitiam contagiantes assovios, procurando fazer dueto ao belo canto das seriemas. Na copa, no alto dos angicos, gaviões das mais diversas espécies emitiam ruidosos gritos, atemorizando a belíssima jacutinga, que com seu sonoro canto saudava o renascer de mais um dia.
Sobre forquilha das mais variadas aroeiras, caneleiras, erveiras, campuatãs... muitos casais de Barreiros (João de Barros), arquitetavam suas resistentes casas, usando-se para isso apenas argila intercalados a uma pequena mescla de palha. O que segundo o poeta com a porta de esguelha para o norte, para melhor proteger-se do vento minuano ou chuvas frias, que sopram do quadrante sul durante os meses hibernais.
No decurso das estações mais quentes, os vaga-lumes ou pirilampos com suas luzes fosforescentes, proporcionavam a singeleza nativa, o mais pinturesco painel ao pintar-se a tela das noites sombreadas, onde corais de rãs quebravam o silencio com a mais surpreendente orquestra sinfônica que a natureza nos brindou.
A uma milha e meia da itinerária brasileira para o sul e menos de uma milha para o oeste, podia ver-se extensas matas cobertas pelas mais diversas arvores nativas, tornando-se visíveis por entre elas gigantescos pinheiros araucárias, árvore também símbolo da região. Matas cujo habitat natural, abrigavam centenas de espécies de pequenos e médios animais silvestres e anfíbios, e ainda a mais numerosa variedade de pássaros que ao habitar nesta sobejidão, os papagaios talvez constituíssem como a força mais barulhenta, voando a média altura e em bandos por demais numerosos, tornando-se incontáveis numa algazarra inconfundível, como o que implorando para que aquela liberdade jamais viesse a se extinguir. Nesta circunstancias segundo a tradição precisamente familiar, o que nos foi transmitido pelos nossos bisavós, avós, pais e que hoje estamos repassando a nossos filhos e netos, e possivelmente a outras futuras gerações.
Foram décadas de pesquisa, e a que conclusão cheguei! Que aproximadamente no ano de 1848, isto é, um pouco antes da virada da primeira para a segunda metade do séc. XIX, chegaram a esta terra, oriundos da cidade de Ponta Grossa - PR, o casal Possidônio Ribeiro de Santana Vargas e Plassidina da Rocha Vargas. Ali estava o sonhador filho homem de Miguel Vargas e Maria Angélica. Adquiriram terras cuja primeira sede construíram muito próximo, onde situa-se a cidade de Não Me Toque, na saída para Carazinho. Possidônio e Plassidina vieram acompanhados alem de filhos ainda crianças, alguns negros escravos, bem como outros peões e agregados, quando construíram casa, galpões, mangueira de lascão e cochos cavados a partir de volumosos troncos de árvores, que serviriam para dar sal aos animais. Esta sede segundo se comentava situava-se a 45 minutos a pé até chegar ao local onde construiu-se mais tarde a Paróquia Cristo Rei de Não Me Toque. Nesta querência Possidônio e Plassidina viram crescer os filhos Antônio, José, Miguel (Varguinha), Pedro (Pedruca), Ambrosina e Ana Maria (Inharinha).
Possidônio foi um dos primeiros estancieiros a povoar campos nesta região, quando tinha como lindeiro entre outros, o Capitão Bernardo Antônio de Quadros e Felicidade Maria Xavier, este casal, a partir 1956, passou a povoar com seus rebanhos, a fazenda Bom Sucesso, que era sede da Invernada Grande e que situava-se entre os rios denominado Colorado ou Puitã e Arroio Cotovelo, que também na época denominado Puitãzinho. A amizade adquirida entre o senhor Possidônio e dona Plassidina com o casal Bernardo e Felicidade, tornou-se ainda mais ativo, quando os filhos possivelmente Antonio Ribeiro de Santana Vargas e Maria de Jesus de Quadros contraíram casamento no início de 1871. Possidônio, pessoa bastante comunicativa e dotado de alguns conhecimentos escolares, havendo conseguido ao transcorrer destes anos, cativar belas amizades entre fazendeiros do interior de Passo Fundo, bem como entre seus peões e alguns nativos remanescentes e ainda pela maneira amistosa que tratava seus escravos.
Mas foi mais ou menos nesta época, quando Possidônio julgava que sua paz ainda ia se perpetuar por um bom tempo, que veio o grande impasse, pois dona Plassidina juntamente com as duas filhas Ambrosina e Inharinha, já crescidas, começaram a pressioná-lo no sentido de mudar de residência. Talvez pelo motivo desta fazenda estar situada a uma razoável distancia de outros fazendeiros, que já se aglomeravam em torno do futuro arraial de Carazinho, onde a família Vargas já havia adquirido uma gleba de terras. Como Possidônio já havia contraído uma certa paixão pela sede, que com tanto amor construíra, por algum tempo ainda conseguiu resistir, mas dado a insistência continua dos familiares, Possidônio em determinado momento, reuniu esposa, filhos e principalmente as filhas, quando as ponderou:
- Posso até distribuir em vida a terra para vocês em outros locais, mas com a seguinte condição, daqui vocês não me toquem.
Foi a partir de então que a antiga sede passou a ser chamada pelas filhas Ambrosina e Inharinha carinhosamente como “Não Me Toque do papai”. Popularizando-se mais tarde principalmente entre as famílias Martins e Xavier de Quadros, já ligados a família Quadros por laços de parentesco, como sendo então “Não Me Toque de Seu Possidônio”. A repercussão foi tão imediata em toda a região, quando tropeiros oriundos destes rincões, a repontar mulas para a feira de Sorocaba – SP, ao confrontar-se com colegas tropeiros provenientes de outras paragens, principalmente peões Birivas, quando descendo de São Paulo ou do Paraná, muitas vezes se entreveravam aos peões gaúchos em rondas ou pousadas, mas quando referiam-se ao nome do lugar causava muita admiração e curiosidade entre os colegas, tornando este nome “Não Me Toque de Seu Possidônio”, conhecido em muitos rincões da província, bem como entre outros estados.
Comenta-se ainda sem se saber o dia, mês ou ano mais que foi possivelmente no final da década de 1860 que Possidônio, contrariando a qualquer desejo seu, mudou-se da sede de Não Me Toque com a família, passando a ser responsável direto, juntamente com a esposa Plassidina e principalmente Pedro (Pedruca), para formação do Arraial de Carazinho.
Já no final do séc. XIX foi criado por visionários na sua maioria descendentes germânicos, muito próximo aquele local a Colônia do Alto Jaqui. Não Me Toque mesmo deixando de ser de seu Possidônio jamais deixou de existir, pois este nome continuou a ser tratado com grande carinho pelos nossos valorosos desbravadores. Ainda durante os primeiros anos do séc. XX residia na antiga sede uma filha de Possidônio e Plassidina de nome Ambrosina Vargas, que era casada com major maragato Elesbão Martins, este filho de José Fidelis Martins e Meringelda Corrêa. Elesbão e Ambrosina tiveram como filhos talvez entre outros, Ipólito, Amazilia, Dinarte, Antônio, Pedro, Pedrina, Amélia e Acólia. Acólia casou-se com o poeta e escritor Clemenciano Barnasque, escritor entre outras importantes obras, “As Efemérides Riograndenses”, após o casamento Clemenciano e Acólia passaram a residir em São Sepé. Posteriormente transferindo-se para Porto Alegre.
Mas o acontecimento que talvez mais entristeceu Elesbão e Ambrosina, fazendo com que vendessem o restante da fazenda de seu Possidônio que lhes coube por herança e transferindo-se para Carazinho, foi a questão da filha Amélia, menina moça ainda tão cheia de sonhos, haver perdido a vida, quando no dia 2 de novembro do início do séc. XX, data esta consagrada aos mortos, ao transitar pelo interior do cemitério de Não Me Toque, ostentando um belíssimo conjunto com saia ornamentada com goma, usando-se para isso além de uma pequena quantidade de amido, também álcool. Assim, ao passar por algumas velas acesas, foi então a extrovertida garota, acidentalmente colhida pelas chamas, quando ao destruir suas vestes, queimando-a totalmente. Acontecido isto, a belíssima e faceira Amélia em profundo desespero, veio a falecer nas entranhas do aludido cemitério em dia de finados. Também segundo a tradição nos conta, um atento campeiro ao chegar naquele momento para também acender velas, mas ao constatar o trágico acontecimento, tomou o corpo de Amélia completamente queimado e nu, envolvendo-o em seu luxuoso pala, para efetuar o translado até sua casa onde ela nascera e passara sua infância.
No dia seguinte, o corpo da jovem Amélia Vargas Martins, transportado em uma carrocinha, puxada por uma parelha de cavalos e acompanhadas por muitos cavaleiros e por senhoras e senhoritas andando a pé, voltava para ser sepultado em outro cemitério, localizado hoje entre as cidade de Não Me Toque e Carazinho. 
Foi a partir de quando Elesbão e Ambrosina já idosos e profundamente desgostosos, transferiram-se definitivamente para o povoado de Carazinho, passando a residir onde situa-se hoje a vila Santo Antônio, onde alguns anos depois faleceram.
A Colônia do Alto Jaqui muito prosperou, conseqüentemente o povoado de Não Me Toque também, com a emancipação de Carazinho em 24 de janeiro de 1931, passou a integrar este município na condição de segundo distrito, emancipando-se em 28 de fevereiro de 1955. Assim, tornou-se cidade prospera, hospitaleira, habitada por gente de diversas origens ou nacionalidades.
Hoje em pleno séc. XXI, ninguém mais fala que um dia esta querência já foi denominada popularmente como “Não Me Toque de Seu Possidônio” ou por alguns até como “Não Me Toque do velho Possidônio”. Os tempos mudaram, mas os rumos continuam sendo os mesmos, quando a promissora terra e prospera cidade continua ser cada vez mais rica e hospitaleira, tornando-se cada vez mais Não Me Toque.

Poesia Mãe Natureza


MÃE NATUREZA - MIGUEL ARNILDO GOMES

Alem e muito alem do horizonte o que haverá?
Belos rios de águas claras, arroios ou vertentes?
Lagoas encantadas, caminhos que levam e levam pra longe,
Que giram e giram, mas quase sempre nos trazem de volta outra vez.
Depois passa um ano, um mês, uma semana, um dia, uma hora, um minuto,
Um segundo, um eterno segundo, dando-se a impressão
ao ver-se agrotóxicos serem derramados
e ao ouvir-se o ronco de moto serras, “que a própria terra esta pedindo socorro”.
Terra que esta girando, girando, girando em torno do planeta vazio,
Onde há muitas nascentes, que ao mesmo tempo estão sendo drenadas,
Onde ainda há, algumas matas que ainda restam, mas que estão sendo devassadas,
E onde ainda existem rios e arroios que correm, que correm e correm depressa,
E vão para os oceanos.
Rios que já estão secando, onde há ainda alguns peixes que asfixiados estão morrendo.
Rios que ao longo dos anos, dos meses, dos dias e das horas, vão sendo poluídos,
Corrompidos ou até engolidos pela erosão, sem prestar-se conta à natureza,
E por qual a razão? E os longos caminhos que margeiam essesrios, 
E que transpõe as matas e montes, que andam, andam e andam pra longe,
Bem longe, depressa, sem ter esperança de poder voltar.
Para onde um dia havia vertentes de águas claras, puras e cristalinas,
Para onde havia matas e pássaros saudando o amanhecer de cada dia.
“O nosso planeta esta pedindo socorro”, crianças, cresçam logo e depois corram depressa,
e nos ajudem a salvar a nossa mãe natureza,
pois esta foi a maior riqueza com que Deus nos presenteou.

Poesia Criança Abandonada


CRIANÇA ABANDONADA - MIGUEL ARNILDO GOMES

Criança que vive sem ternura,
sem Deus, sem amor, sem afeto.
Criança que vive sem poder viver,
sem ter o direito de poder chorar.

Criança que sem poder sorrir,
ainda da gargalhadas.
Criança que dorme debaixo da marquise,
ou na marginal do leito da rua.
Criança que dorme em folhas de jornais
e ali se prostitua.
Na verdade tão crua criança que sofre,
que pula, que dança, que canta para poder gritar.
Criança que vive sem ter esperança, sem paz,
sem preceitos, em tardes de sol ou em noites tão frias
sofrendo o amargor da vida vazia, sem ter direito de poder chorar.